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A real situação da água

Recentemente, saiu um estudo sobre a situação da água que bebemos no Brasil, e o resultado foi chocante.

Entre 2014 a 2017, 1 em cada 4 cidades apresentaram contaminação por agrotóxico na água, e em cerca de 1300 municípios foi detectada a presença de 27 pesticidas que por lei são obrigados a passarem por análises. Mais de 50% dos municípios brasileiros não realizaram nenhum tipo de teste, o que indica que o mapa de contaminação poderia ser ainda maior.

O Estado de São Paulo tem 504 cidades contaminadas pelos 27 agrotóxicos obrigatórios, sendo que 16 deles são classificados pela ANVISA como altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas. A capital e Grande São Paulo são as cidades que apresentaram maior índice de concentração dos últimos anos, e a grande exposição aos contaminantes vem preocupando os especialistas. De acordo com a toxicologista e médica Virginia Dapper, as pessoas já estão adoecendo e, provavelmente, nunca saberão a origem.

Com esse estudo, o Ministério da Saúde foi questionado sobre as medidas para barrar essa superexposição, mas não houve resposta com medidas efetivas, e vale ressaltar que no Brasil não há um limite fixado para regular a mistura das substâncias na água. Enquanto na União Europeia, o máximo aceitável da mistura é de 0,5 microgramas por litro de água, já no Brasil, somando o mínimo permitido dos compostos seria de 1353 microgramas por litro de água. E dos 27 pesticidas encontrados nas águas do Brasil, 21 são proibidos na União Europeia.

Diante de todos os resultados e posicionamento do Ministério da Saúde, a situação atual fica estagnada. Existe um jogo de empurra-empurra, pois diferente da Europa, onde os responsáveis pelos testes de potabilidade da água são as empresas que fabricam os pesticidas, e no Brasil, os responsáveis são as distribuidoras de água, isentando as grandes indústrias contaminantes de taxas.

Outro dado preocupante é que o atual governo junto com o Ministério da Agricultura, autorizaram o uso de 166 novos agrotóxicos só no primeiro quadrimestre de 2019, sendo que 49 deles estão classificados como classe I, a mais elevada na escala toxicológica da ANVISA e a justificativa da ministra Tereza Cristina é que a aprovação desses novos grupos de pesticidas irá aumentar o avanço do agronegócio.

Agrotóxicos mais consumidos no Brasil (proibidos na UE) e seus efeitos:

  • Atrazina – associado à inflamação de próstata e atrasos na puberdade
  • Acefato – cancerígeno
  • Glifosato – cancerígeno, está também ligado ao crescimento de Mal de Alzheimer, depressão, infertilidade, má formação em crianças, entre outros.
  • Paraquate – associado à problemas pulmonares e renais

Bibliografia

<https://noticias.uol.com.br/reportagens-especiais/coquetel-com-agrotoxicos-esta-presente-na-agua-de-1-a-cada-4-municipios/index.htm?fbclid=IwAR3Jn4AzqEMt5X8OARZ3a5sNJstBEiXyYN7SZK23ZMzM8xQrw9NkKDDs0AA#tematico-8> Acessado em 22 de abril de 2019

<https://www.brasildefato.com.br/2018/11/09/musa-do-veneno-saiba-quem-e-a-ministra-da-agricultura-de-bolsonaro/> Acessado em 30 de abril de 2019

<http://www.agrisustentavel.com/toxicos/atrazina.html> Acessado em 30 de abril de 2019

<http://www.meioambiente.mppr.mp.br/arquivos/File/EFEITO_DOS_AGROTOXICOS_PIGNATI.pdf> Acessado em 30 de abril de 2019

<http://www.ihu.unisinos.br/noticias/545120-uso-de-glifosato-pode-causar-riscos-a-saude-indica-parecer-tecnico-de-pesquisadores-da-ufsc> Acessado em 30 de abril de 2019

< https://deolhonosruralistas.com.br/2019/04/30/governo-aprova-mais-14-agrotoxicos-e-chega-a-166-no-ano-47-tem-grau-elevado-de-toxicidade/?fbclid=IwAR0UYF8UolkjBWh3uQOE2N1oIuyBWcD-6J_tg30c1I_jc21PhmtUZOjMGJ0> Acessado em 03 de maio de 2019